quarta-feira, abril 09, 2014


“Bruk ikke det utenlandske ord: idealer.
Vi har jo det gode norske ord: løgne.”
Henrik Ibsen

Idealmente Apertados de Tempo


Ainda ontem me dava conta, mais uma vez e com maior distância, que fujo naturalmente dos ideais, extremistas e cegos. É lá que as coisas se partem. É lá que as ilusões ludibriam. É lá que o tempo se perde. Não que não me orgulhe de por lá ter andado, mas fico satisfeito por ter escolhido continuar a andar.
No entanto, ficam algumas coisas para trás. No lugar daquilo que se traz. Não é caso para lamentos, que isto de viver não é para sempre. O que lá fica tem sempre o seu lugar. Há espaço para tudo, principalmente para o tempo que se perde com ideais, no aperto dos dias.


O que a mim vem, recebo-o de braços abertos, cautelosos. Sem apertar. Abomino os apertos, principalmente aqueles que argumentam que não há tempo para perder. Que se fodam o tempo, os ideiais e os apertos. Tenho lugares onde estar e não vai ser agora que o tempo vai parar e desistir dos seus ideais. Fica apertado para mim.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

"Life is hard. After all it kills you. "
Katharine Hepburn

Assim se forjam as pequenas (nece/capa) cidades


Desta vez, devo escrever algumas barbaridades antes de chegar. Devo-o ao chão que me viu crescer. Esse santuário que, em esforço, me manteve erecto, se bem que às vezes bambo, mas sempre perto do caminho certo. E às pessoas, essas sim, que do meu lado (que escassez!) ou no esforço máximo para me aniquiliar (é ter cuidado para não tropeçar), sentem falta da abundante ignição que, de alguma forma, esbanjo. Presunçoso, certo, mas incorrecto? A questão é que não é a minha missão salvar o mundo inteiro. Aliás, não consigo (nem que quisesse!) salvar alguém, é patente (estamos nisto das invenções). Ainda hoje me diziam que era afortunado, diz que corri meio mundo em três tempos, aos saltos de tropegos sucessos. Ainda hoje me teciam os elogios do empreendorismo e do objectivismo, essas palavras inertes que nunca degustaram alheiras com vinho e boa companhia. Ainda hoje, como em tanto outros ontens, me cantaram as cantigas do fizeste e aconteceste. Mas não existem outros lugares, não existem as companhias suplentes. É assim.


O parágrafo anterior é o melhor que as palavras alguma vez me irão permitir. Não que os outros que escrevi sejam alguma merda de jeito. Mas fodasse, e espero que compreendam, às vezes preciso de mais, estou quase de regresso a casa e não há nada que se sobreponha a esta sensação de quase proximidade: os montes, as intrigas, o frio e a pequenez de cidade. Gigantes, a família, os arqui-inimigos, e o chão, que quando abraça uma queda, não faz a coisa por menos: deixa marcas que não desvanecem. Não me levem a mal, mas não consigo mesmo salvar alguém, vão haver sempre lugares de onde vou regressar.